LETRAS

Por quê?

Às vezes é difícil calar a voz da mente
E apagar os fatos que marcam o coração
E engolir o choro no escuro do quarto
Por medo de chamar Tua atenção
Eu sei Você ainda está comigo, mas por que ainda tenho medo de Te ver?
Cego eu não sei se estou, mas pra onde olho só vejo escuridão.

Por que é difícil entender?
Quanto mais viver assim
Por que é difícil?

Retrato

Rompi o cadeado, agora é só abrir
A porta que antes me impedia de sair
Sei que devo, só não sei se quero
Explorar o que há do lado externo

Na parede, o retrato
De quem eu deixei de ser
No fundo dos meus olhos
Agora posso enxergar...

A janela que antes parecia gigante
Pelo lado de fora é insignificante
Aprender é um meio e não um fim
E a forma de ver depende do que há em mim

Na parede, o retrato
De quem eu deixei de ser
No fundo dos meus olhos
Agora posso enxergar Você!

Refaço o retrato rasgado
E volto a ser eu

Viver

Feito peça fora do quebra cabeça, a correnteza só leva aquele que deixa
Peixe fora d’agua, culpa da situação, a certeza do futuro é um ponto de interrogação
Se foi bom ou ruim, ai sei lá, de ontem pra hoje vim dali pra cá
A mudança foi tão grande que ninguém percebeu, o externo é o que vale, você entendeu?
Longo demais pra alguém escutar, fica esperto, maluco, ponha-se no seu lugar
Indiferença encontrada, muralha levantada, no ponto inerte, alma congelada
Por que tudo isso? A escolha que eu fiz? Só por que se realizou o sonho que eu quis?!
Talvez aí esteja algo que eu não entenda, só espero não ser a razão do problema

Só o futuro e Deus me trarão a resposta, clara ou não, agora isso não importa
Escutar é embaçado, obedecer é mais ainda, fica ligeiro, irmão, eu tô vivendo a minha vida.

Se quer viver, então deixe viver.
(Na sua mente, na sua alma Aquele que tudo vê)
Se quer viver, então deixe viver.
(O desprezo pela face jamais se esquecer)

Se eu puder me conhecer, ouvir minha voz, procura me encontrar, não mais me deixar só
A gente acha que sabe, mas numa certa idade é que realmente nasce
Alguns entendem, outros não, alguns querem mudar, outros preferem a ilusão
Me deixe decolar, romper o casulo, cortar esse fio que me prende ao mundo
E assim poder voar livremente até você

Hoje vejo o mundo de outra forma, enxergo além daquilo que se mostra
É tão bom ser eu sem fingir, com alguma coragem fiz a máscara cair
A transparência me deixa frágil, a convivência um pouco mais sábio
Olho pra trás, vejo que não tem mais volta, olho pra frente, tenho que correr atrás de coisa nova

Mas quem se importa, ele é tão novo, só um sonhador, moleque louco.
E quando me ver voar, me deixe quieto pra sorrir. Sou livre, em paz, eu vou subir.
Se quer viver, então deixe viver.
(Na sua mente, na sua alma Aquele que tudo vê)
Se quer viver, então deixe viver.
(O desprezo pela face jamais se esquecer)

Se quer viver, então deixe viver

Se quer viver, então deixe viver.
(Na sua mente, na sua alma Aquele que tudo vê)
Se quer viver, então deixe viver.
(O desprezo pela face jamais se esquecer)

Te encontrar

Onde Você está?
Preciso Te encontrar
Desesperado pra Te achar
Algo me corrói por dentro, medo que sufoca o peito
Eu quero é sair daqui, onde Você for vou Te seguir

Se eu Te sinto, eu Te vejo, eu quero mais
Se eu Te sinto, eu Te vejo, eu quero mais

Te encontrar

Onde você está?
Preciso Te encontrar
Desesperado pra Te tocar
Algo me corrói por dentro, medo que sufoca o peito
Eu quero é sair daqui, onde Você for vou Te seguir

Se eu Te sinto, eu Te vejo, eu quero mais
Se eu Te sinto, eu Te vejo, eu quero mais

Te encontrar

Desespero Silencioso

Estou caindo e não consigo ver o fim
Eu sou vazio e você ainda ri de mim
A desilusão tem um gosto amargo
O mundo é injusto e você acha engraçado
Você acha engraçado

Rir é bom, mas rir demais é desespero
Onde está a graça de quem morre por dentro?
Aos poucos vai embora a vontade de respirar
Não vejo mais em cores, já não consigo mais voar
Já não consigo mais voar

Ouro não se planta nem se colhe, na terra só frutifica o que morre
Valores questionáveis roubam a alma de quem deixa
Pois existe algo além do que é visto nesse plano,
Mas pra quem só enxerga o que é palpável, este outro lado é algo descartável
Olhe no espelho me diga o que vê, não se assuste, este monstro é você

A humanidade vive em desespero
A humanidade vive em desespero silencioso

Deito na cama e prendo a respiração,
Desejando estar em outra dimensão
Usei toda minha força e ela se foi,
Mas ainda assim não consegui provar o meu valor
Provar o meu valor

Meus erros serão pra sempre lembrado
E todos acertos deixados de lado
De que adianta ter a alma transparente,
Se ao olhar ao meu redor me sinto tão indiferente
Me sinto tão indiferente

Eu nunca vou ser perfeito pra ninguém, muito menos pra você
Sozinho eu rastejo, em busca de esperança nem que seja por um lampejo
Quem nunca se sentiu só no pó, com um nó na garganta e para si desejando o pior
Do que você se esconde?
Do que você tem medo?
No fundo o que nos une é o nosso desespero

A humanidade vive em desespero
A humanidade vive em desespero silencioso

Desespero silencioso, silencioso

Se eu me encontrar

Buscando respostas, me deparei com mais perguntas
Na velocidade do tempo aumentam as dúvidas
Desencontro constante da minha própria essência
Me entrego aos prazeres pra suprir a ausência

Se eu soubesse o que há além do fim
Talvez encontrasse sentido pra mim

Ah, se eu me encontrar serei
Mais vivo do que sou

Se eu te encontrar serei

Não sou nada

Eu sempre tive tudo, Você sempre me deu tudo
Se hoje eu respiro, é um milagre, eu não me iludo
Tenho a consciência que a vida é como um flash,
Assim como um raio que no céu desaparece
Déjà vu, viver às vezes parece uma repetição
O mesmo erro, na cabeça, a confusão
A minha vontade ou a Tua? O que fazer? A teoria é diferente na hora do vamos ver

Por dentro a dor, o grito, desespero
Preciso ganhar a guerra contra eu mesmo
Tarde demais, não me preparei, perdi
Vontade que grita pra me destruir

Quem me fala o homem que eu sou

Quem é capaz de amar um cara como eu?
Eu não sou nada

Redenção

Agora eu fecho a porta, tudo fica escuro
Dentro da minha mente só eu sei como é impuro
Aqui ninguém entra, aqui ninguém vê a olho nu
Só Deus consegue ver
O que se passa, o que eu vivo, o que eu sou
O que eu digo e não pratico
Tudo isso os olhos não podem captar
Exteriorizo somente o que quero mostrar
Posso fingir ser o que não sou
Posso mascarar tudo que sou

Mil e uma faces, nenhuma identidade

Esse sou eu buscando a minha redenção
Esse sou eu
Quando o filho me libertou
Limpou a minha mente, me deixou
Livre
Hoje sei quem sou, eu sou o que sou
Em mim Ele
Vive

Esse sou eu buscando a minha redenção
Esse sou eu

Inocência Roubada

A culpa é minha por ter ido lá fora,
Por minha causa Você foi embora
Mas eu preciso de Você, então volta
Meu Deus, me diz, o que é que eu faço agora?

A inocência roubada, a inocência que se foi,
Quem vai dormir não é o mesmo que acordou.
A culpa é minha por ter ido lá fora,
Por minha causa Você foi embora

Mas eu preciso de Você, então volta
Meu Deus, me diz, o que é que eu faço agora?

A inocência roubada, a inocência que se foi.
Quem vai dormir não é o mesmo que acordou.
E agora? / Você foi
Embora / preciso de Você
O que é que eu fiz? / Meu Deus

Lá fora / Por minha causa
Meu Deus / Você foi
Embora / preciso de Você
Volta!
O que eu fiz? Agora
O que eu fiz? Lá fora
Meu Deus, me diz! Agora
Eu tenho culpa desse inferno? Lá fora!

Próprio Brilho

Eu vejo na TV
Aquele homem que antes andava aqui fora
Agora blindado, inacessível, mudado
Não parece mais normal

Tempo esgotado, agenda lotada
Pessoas esquecidas, não há tempo pra mais nada
A face não se abaixa mais,
Não se curva mais

Deus, ilumine as mentes cegas pelo próprio brilho

Entre eleitos perfeitos
Não há espaço para defeitos de homens normais

Espiritualidade de prosperidade
Autoridade na anormalidade
Religiosidade, placas e reinos pessoais
Graça e misericórdia, onde estão
Nesse brilho?

Deus, ilumine as mentes cegas pelo próprio brilho

Que a tua luz me faça ver o que você vê
Que a tua luz me faça ver quem é você
Que a tua luz me faça ver quem você vê
E apague de mim todo esse brilho

Deus, ilumine as mentes cegas pelo próprio brilho

Trauma de infância

Um dia eu vou te buscar, criança assustada que está dentro de mim
Será que a culpa é sua por eu ser assim?
Naquele dia o mal refletiu em uma lágrima
Quero esquecer isso, por favor, alguém apaga!
Porque dentro de mim isso inflama (a lembrança) Trauma de infância.

Corre criança,
Morre a infância

A cena que insiste em voltar
E esse medo que não quer me deixar
Ah, se eu estivesse lá comigo mesmo
O final da história seria outro
Ah, se eu estivesse lá comigo mesmo
Não carregaria a tristeza no meu rosto

Corre criança da minha história,
Sou um homem forte agora
Muda a infância da minha memória,
Vai embora
Corre criança
Morre infância

Eu não estava lá quando você precisou de mim
Se a culpa é sua, no final é só minha

O mundo morre

Olho ao redor, vejo o mundo rodar
Talvez, além de mim, exista vida neste lugar
Mentes famintas, sedentas pelo o que tenho
Pessoas ousadas, usadas e depois largadas
O sistema então me esquece, o medo brota e floresce
Mas prefiro não ver, prefiro nem saber

Sem tempo pra ouvir, menos ainda pra ajudar
Não há tempo para sentir, e nem quero mais olhar
A vida é curta demais, e meu lugar não é aqui
Pra que, então, me importar?
Fecho os olhos e vejo
Tapo os ouvidos e ouço
Por isso tudo eu pergunto
Afinal, meu valor não é maior que o resto do mundo?
O mundo morre enquanto eu durmo
O mundo morre enquanto eu durmo

Pra que estender a mão se hoje sou feliz assim?
Por que vou me importar se ninguém toma conta de mim?
Pra que estender a mão se hoje sou feliz assim?
Por que vou me importar se ninguém toma conta de mim?